Sulamita Garcia

July 11, 2011

Qt, MeeGo and AppUp – Qt Contributors Summit

Filed under: english,eventos,linkedin,nerdices,powerpuffgirls,viagens — sulamita @ 5:57 am
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I recently attended the Qt Contributors Summit in Berlin, from June 16 to 18, 2011. The unconference was held in the nice Café Moskau, with many room and common areas for chatting. The main focus for the unconference was to talk about the next version of Qt and the definition of an open governance structure, reclaimed by developers for so long.

Lars Knoll opened the discussion about the next version in one of the first sessions. The last major version for Qt – Qt 4 – was launched 6 years ago. The world was a very different place, and users’ expectations now are also different. There was no iPhone or applications store, touch screen was not prominent and social media just starting. Nowadays all this is just basics, and so Qt framework wants to provide easy infrastructure for developers to create applications meeting those expectations. Qt Quick/QML will play a huge role in this scenario – they will have almost the same capabilities and resources as Qt. The intention is to make easier for ‘opportunistic developers’ – those who want to create simple and small applications to monetize – to use Qt. There were many discussions on how to do that, the priorities, but main message – everything is going QML. Pure Qt resources will continue to be available and improved, but QML is expected to be sufficient for most developers. But I invite my friend and consulting resource for QML, Helio Castro, to write more about it.

Another big conversation was the open governance. Community has been asking this for a long time – 11 years to be exactly – and it is finally happening. The governance will be similar to the Linux kernel governance:

This blog post explains it in details – http://labs.qt.nokia.com/2011/05/20/open-governance-roles-and-responsibilities/ – and as I could not do any better, I will leave to the link to explain J there is also a talk – or rather a discussion – held by Thiago Macieira at Qt Developer Days 2010. http://qt.nokia.com/developer/learning/online/talks/developerdays2010/tech-talks/qt-301s-open-governance-model/

I held two sessions: Qt, MeeGo & AppUp Developer Program and – due the interest raised in this session – MeeGo Application development store.

In the first session, several developers seemed please to find out AppUp is a perfect channel for open source applications to reach mass users on Windows desktops. As Qt is a multi-platform, there are a huge number of Qt applications also available for Windows, but no efficient distribution channel. AppUp is this channel, offering the possibility to distribute open source applications with the source code. When you upload your application, you can choose between several open source licenses, and if you do so, you are required to submit also your SRPM source code package. And your application will be available not only on AppUp, but also on many applications store powered by AppUp. One of the most recent examples is Dixons KnowHow store, pre-installed in netbooks being sold by one of the largest retailers in UK and Ireland. But I shall go into further details in a future post, with screenshots and examples.

During this session, there were many questions on MeeGo application development environment. So we scheduled another session for the next day to talk about the resources and the community to support it. The first place to look at is the main wiki page for MeeGo Apps. Conversations about MeeGo application development are happening in the MeeGo community mailing list and the main #meego irc channel hosted on Freenode. To help developers to package their applications, there is a community OBS server – OpenSuse Building System. For open source applications, developers can request an account for free and submit their code. To host the source code in a collaborative way, MeeGo suggests Gitorious, where developers can also create an account for free.

On the wiki page, you can find the guidelines for packaging applications for Meego, as well as information about the QA process. When one application is submitted to testing, the community can test and rate it. Long story short, if an application has been tested enough and is approved, it will be available in the community repository. You can find more information in the documentation ahead. I’m still learning the process myself, so I can submit more information later.

And overall, was an extremely well planned and awesome event. And even so it was an unconference, the conversations in the hallway still provide many great opportunity and insights. I’ve learn about several great projects, like QML 3D and Gluon, both of with deserve their own blog posts. I also hope the developer present there appreciate our efforts on bringing ClubMate to the unconference – even if that meant empting Germany’s supply that week! And I would like to thank Alexandra Leisse for the amazing job organizing everything – you literally rock! Seriously, you people need to hear her singing…

I shall declare Mondays the Blogging day for me, and hope you all enjoy some of the reports. If you have any suggestions on what subject you would like to see more of, leave your suggestion!

March 25, 2011

Location, location…

Filed under: linkedin,nerdices,viagens — sulamita @ 12:50 pm

Eu havia afirmado antes que o twitter matou meu blog. Mas depois de pensar bem, eu acho que minha vida offline matou meu blog… este blog que já viu dias melhores de 300 visitas diárias em média – o que sempre me pareceu estranho para um blog tão aleatório – tem poucas dezenas de teimosos readers e visitas ocasionais vindas de alguma busca. Há muito tempo passei a preferir a vida offline, mas acho minha vida offline demasiado tediosa para comentar. Ainda quero terminar vários drafts sobre meus lugares preferidos de São Paulo e Londres, mas isto é outra conversa…

Mas para atualizar, me mudei novamente. Deixei a cinzenta e cosmopolita Londres pela verde e alemã Munique. Na verdade uma cidadezinha ao lado de Munique, Haar, a 10 minutos do escritório da Intel em Feldkirchen, também do lado de Munique. Sei meia dúzia de palavras em alemão, mas pelo que vejo o sotaque manezinho vai me ajudar na pronúncia – aquele R que sai rasgando a garganta, o s chiando. Aliás, o sotaque manezinho, assim como o carioca, pode não ser o melhor para a pronúncia americana, mas para a pronúncia britânica, para o espanhol e o alemão ajudam muito. Depois de mais um brasileiro me dizer há poucos dias que eu falo como ‘uma gringa que fala português muito bem’, estou me esforçando para falar mais em português, e menos o portunhol que falamos aqui em casa. Sempre tive esta tendência de pegar o sotaque, fosse o sotaque paranaense quando morei em Foz do Iguaçu aos 10 anos, por dois anos antes de voltar correndo pra Floripa, fosse dos companheiros de universidade. Para aprender pronúncia é ótimo, mas já tenho que parar para pensar ao formular uma frase inteira em português, o que é meio bizarro. Então vou me esforçar em escrever e pensar mais em português…

Mas com a segunda mudança internacional em menos de dois anos, acho que posso dar meus pitacos sobre aqueles que pensam, sonham ou querem mudar de país, por alguns anos ou permanentemente. Já que várias pessoas sempre me perguntam a respeito e pedem dicas, resolvi escrever este post. Se está com preguiça de ler, a versão curta e primeira dica é: vale a pena, mas é muito mais difícil do que você imagina.

Quando eu consegui minha primeira mudança para Londres, foi justamente no meio da ‘crise’[1]. Todo mundo me dizia que seria impossível, inclusive meu chefe, quatro meses antes de me perguntar se eu ainda estava interessada… então meu conselho é: ouça conselhos, mas tome todos com uma pitada de sal. Tem gente que vai te dizer que é impossível, que é horrível, que não vale a pena. Não sei se alguem vai te dizer que é fácil, mas mesmo que te digam tudo o que for, se você realmente quiser, você pode fazer acontecer.

Não vou falar aqui dos caminhos ilegais, está claro. Também não acho necessário falar sobre quem tem dupla cidadania, porque pode ir e vir sem muitos problemas. Vou falar da minha experiência de ter um único passaporte brasileiro e ir com a cara e a coragem. Também só posso me restringir a falar da área de tecnologia – você pode vir estudar, e com visto de estudante e tem direito a trabalhar por 20 horas, quem sabe consegue um estagio que pode levar a uma contratação e visto permanente, mas como não tive esta experiência, não posso ajudar…

Pouca gente sabe que quando aceitei o trabalho na Intel, também tive uma oferta da RedHat na Inglaterra. Ambos eram trabalhos muito bacanas, mas a Intel me abria uma área muito diferente, além de transformar meu voluntariado na comunidade open source em trabalho pago. Foi uma decisão muito difícil, porque significava também deixar a área de adminstração de sistemas, mas fui com a cara e a coragem. Além de ter sido uma experiência excelente, dois anos depois acabei indo para a Inglaterra de qualquer maneira. Como mencionei, não foi uma transferência fácil. Passei bastante tempo martelando na cabeça do meu chefe que eu gostaria de ir para a Europa, mas em meio a crise, a possibilidade era quase inexistente. Até que apareceu uma vaga onde precisavam de alguém que tivesse experiência técnica e comercial, falar não apenas com os desenvolvedores mas com executivos das empresas, e para open source. Mesmo que tivessem me dito que não em um primeiro momento, eu sabia que profissionais com este perfil, ainda mais dispostos a viajarem frequentemente, dar palestras, escrever documentação e tudo, não nascem em árvore. Então eu esperei, e conforme minhas previsões, alguns meses depois, a vaga continuava aberta. E então apareceu minha chance…

Segunda dica: se você tem um diferencial, pode ser mais raro, mas vai aparecer uma oportunidade que pouca gente pode preencher. Então você terá uma carta muito valiosa na negociação. Encontre o seu diferencial.

Porém todo o entusiasmo e a busca pela transferência entregaram o quanto eu queria a mudança. Isto em tempos de crise também deu a empresa uma vantagem: meu pacote de realocação foi resumido ao visto de trabalho. Tive que desembolsar e me virar para encontrar apto e pagar a mudança. O apartamento nem foi problema, porque hoje vejo que é muito melhor pegar o dinheiro e buscar por mim mesma que usar serviços de agências contratadas. Mas foi uma baita grana. O trabalho também era menor do que o que eu tinha feito antes, e tive que me acomodar a descer um degrau e voltar a dar suporte e escrever documentação.

Terceira dica: é extremamente difícil, por todos que conheço que conseguiram realocação, manter o mesmo nível profissional. Você provavelmente vai ter que descer um degrau, se é você que está correndo atrás e não a empresa que precisa que você vá.

Encontrei um ambiente informal, descontraído, com todos vindos do mundo open source. Foram dois anos muito divertidos, que possibilitaram que depois de quase quatro anos namorando a distância, Hector e eu pudéssemos morar juntos. Passeamos, conhecemos muitos lugares, fomos a Paris… mas o dinheiro não possibilitava o mesmo estilo de vida. Um apartamento de 45m2 custava 1300 libras ao mes. E isto porque eu tinha condições de pagar isto – muita gente dividia apartamentos com 6 pessoas para pagar 300 libras ao mês em lugares que ficavam pelo menos a uma hora de trem do centro de Londres. Tivessemos ido morar em algum lugar fora de Londres, seria mais fácil, mas então para que eu tinha me mudado?

Quarta dica: não se engane com o valor do salário, não converta em reais. Procure o custo de aluguel, do leite, da carne, do pão. Da cerveja também, mas neste caso valeu muito a pena :)

Morei perto de Canary Wharf, um dos corações capitalistas do mundo. É um universo paralelo, onde estão os bancos, a sede da Reuters e outras coisas. Existe um site de trabalhos ali que oferece salários exorbitantes – de 150 a 300 mil libras por ano para programadores. Muita gente ali ganha 500 libras por hora, advogados, stock brokers. Mas não se engane, estes contratos implicam que se você cometer um erro no programa e o banco perder alguns milhões, você é responsável por estes milhões. Você também não terá vida além do trabalho. Por isto existem muitas vagas abertas, a imensa maioria não aguenta muitos anos nisto, faz por algum tempo para fazer um pé de meia e volta para a vida normal. Mas se você está interessado…

Quinta dica: o site é http://www.efinancialcareers.co.uk/

Na Inglaterra existem muitos eventos e grupos de usuários organizando conferências. Para mencionar poucas, existem a UKUPA(user experience e design),  BSides UK(segurança), BarCampLondon, GeekGirlDinner, e claro, varios MeetUps dos grupos de Meego. Se submeter a vagas por sites é muito pouco produtivo, a imensa maioria das vagas são preenchidas por indicações internas. Então fazer networking é fundamental.

Sexta dica: se puder, busque e atenda eventos de tecnologia.

Setima dica: seja direto.

Uma das primeiras coisas que tive que aprender quando comecei a trabalhar com estrangeiros, quando estava no Brasil ainda, foi a ser direta. Para nós parece falta de educação, mas a quantidade de preâmbulo você tem que fazer com muitos estrangeiros é infinitamente menor do que estamos acostumados. Eles preferem que você vá direto ao ponto, não se preocupe em perguntar da família, do papagaio e do time de futebol, um ‘oi tudo bem, eu gostaria de pedir…’ é suficiente. Depende da cultura, claro: semana passada em uma reunião com um colega de trabalho italiano, levamos 20 minutos para começar a falar do objetivo da reunião… foi muito bom exercitar o lado latino, mas dificilmente funcionaria com um americano, inglês ou alemão. Pelo contrário, eles desconfiariam com tanta enrolação.

A Intel tem na sua cultura incentivar as pessoas a mudarem de trabalho de tempos em tempos. A lógica por trás disto é que depois que você domina um trabalho, é natural do ser humano começar a se sentir entediado e o desempenho cai. E como estou sempre pisando no acelerador, esta fase vem muito cedo pra mim. E assim apareceu uma oportunidade – novamente, uma necessidade específica, alguem com conhecimentos tecnicos e comerciais, mas especialmente para Meego. Mas incluía mudar de país – denovo. Porém o grupo parecia interessante, o projeto desafiante – levantar a AppUp, especialmente promovendo a submissão de apps para Meego. (A propósito, você sabia que pode ganhar 500 dólares se sua app para Meego for uma das 100 primeiras a serem disponibilizadas? E que as 10 melhores ganham mais 1000 dólares? Veja em http://appdeveloper.intel.com/en-us/submit-early ).

Então, lá fomos nós novamente… e a qualidade de vida que encontrei está sendo maravilhosa. Londres é fantástica, mas o tempo este ano estava sendo terrível. Nos dois primeiros meses do ano, vi o sol dois dias – apenas dois dias em dois meses. Não sei se era o efeito psicológico de saber que estava indo embora e então admitir o que me fazia falta, mas era deprimente. Aqui em Munique, o céu azul da Bavária tem se apresentado todos os dias. A comida da cantina da Intel é a melhor de todas as cantinas Intel que já experimentei, então não preciso me preocupar em cozinhar e tenho escolhas saudáveis a disposição.

Mas a fama de péssima comida em Londres para mim é injustificada. É porque somos muito privilegiados no Brasil e não nos damos conta – no Brasil cada esquina tem um buffett de comida a quilo, comida bem temperada e variada. Em Londres é outra coisa, almoço é um sanduíche com um pacotinho de batata frita ou sopa ou salada. Porém existem bons lugares para comprar um sanduíche, e outros que você vai comer comida com gosto de papelão. Eu pessoalmente gostava muito do Pret a Manger e do Pod. Mas se você quer comer comida mesmo, deixe de preguiça: vá cozinhar. Eu comi arroz e feijão muitos dias, preparando no fim de semana e fazendo alguma carne e legumes de manhã cedo. Fazer uma refeição descente em um restaurante não sai por menos de 20 libras – sendo bastante otimista. Então se você não vai se candidatar a vagas lá em Canary Wharf, prepare-se para cozinhar.

Oitava dica: pare de reclamar e vá cozinhar.

E por último, pense bem no seu objetivo de vida. O meu muda frequentemente – não achei que o sol, verde, natureza iam me fazer tanta falta. Estou felicíssima em um apto com jardinzinho, longe do burburinho urbano. Mas muitos dos meus colegas fazem questão de morar no centro, e comparado com Londres, em Munique dá pra morar de boa. Assim, na hora de escolher qual país exatamente se encaixa pense não apenas nos museus, pubs e teatros de Londres, ou na Oktoberfest de Munique. Pense no dia a dia, levantar de manhã, enfrentar transito ou transporte público, almoçar, jantar, fim de semana.

E se tiver o espirito aventureiro como eu, se jogue que a vida leva…

Acho que ainda tem assunto, mas por hoje chega, reviso segunda feira…

[1]A proposito, alguem reparou que no ano da ‘marolinha’, a economia retrocedeu em 2009? link Eu nunca vi nenhum anúncio sobre isto, só agora… mas enfim, que continue expandindo e que o pibão se mantenha.

January 10, 2010

Do outro lado do mar…

Filed under: viagens — sulamita @ 11:45 am

Despedidas

Vou durmir e despois despertar do outro lado, do outro lado do mar
Vou fechar os meus ollos e estar do outro lado, do outro lado do mar

Vou escoitar despedidas que quedan prendidas nos brazos do vento
Vou lembrar mil historias de amor sumerxidas no fondo do mar

Vou durmir e despois despertar do outro lado, do outro lado do mar…

Três anos atrás, em uma viagem memorável, visitei a Galícia. Um dos pontos altos do evento foi um show de grupo de música galega Da Outra Margem. As músicas eram lindas, divertidas, o show foi fantástico. Porém uma música me marcou muito, esta acima. Conversei com o cantor e autor da música, Luis Lechuga, que algum tempo depois me enviou o mp3. Esta música fala muito para quem como eu tinha um oceano de distância com a pessoa amada. E é engraçado que muitas vezes pensei em blogar esta música em uma das viagens sobre este oceano, mas algo acontecia e eu sempre esquecia. E curiosamente, esta vai ser a última viagem sobre este oceano que fazemos separados… :)

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