Sulamita Garcia

July 23, 2010

Futebol, Eleições e Brasil

Filed under: Uncategorized — sulamita @ 11:37 am

Twitter realmente matou o blog… pelo menos o meu :)

Futebol

Este ano me vi fazendo algo que sempre me incomodou muito e que sempre critiquei: ficar obcecada pela copa do mundo. Começou de brincadeira, e por pura diversão decidi que ia torcer para a Inglaterra, Espanha e Brasil, claro. Ainda que a torcida para o Brasil fosse incerta: outro campeonato mundial provavelmente influenciariam nas eleicoes, como é de costume. Porém depois dos primeiros jogos, mesmo achando difícil de acompanhar – 90 minutos para meia dúzia de lances emocionantes eh um custo x beneficio duvidoso – aos poucos fui me vendo cada vez mais ligada no assunto, ate virar meu monotema no Twitter.

Via amigos que continuavam com o mesmo desdém que eu antes tinha pela copa soltarem sua irritação pela mesma estar monopolizando tanta atenção, e fiquei pensando a respeito. Primeiro, como é que eu vim parar aqui? Segundo, o que tem demais?

O primeiro eu ainda não sei. Mas o segundo me arrisco a algumas teorias, que podem até estar relacionadas com o primeiro. Uma das coisas que muitos brasileiros que moram fora conhecem eh a idealização do Brasil. De tanto vermos gringos exaltando as belezas, o bom humor e a comida brasileira, acabamos por nos contagiar com esta perspectiva. Quando comecei a viajar para outros países, pensei que veria algo muito diferente, e minha surpresa foi encontrar não só o fato de que todo lugar tem seus problemas, como o fato de que muitíssimos lugares enfrentam exatamente os mesmos problemas. Acho que minha maior surpresa foi ver muita gente dizer “So mesmo no meu país”, o que eu sempre dizia. Entao acabei mudando um pouco minha opinião. Nao é o pior lugar do mundo para se viver – mas muito menos o melhor.

Outra questão era que eu sempre tive a opinião de que quem se importava com copa do mundo não tinha mais o que fazer da vida. E graças ao Twitter, Facebook e outros, vi que eu não poderia estar mais errada. Que muita gente que eu conhecia e admirava exatamente por serem inteligentes, bem informados e trabalhadores se ligavam no assunto com o mesmo fervor que todos. Países conhecidos por seu afinco no trabalho e respeito as regras, como Alemanha, Inglaterra e outros, paravam para ver as partidas exatamente da mesma maneira que eu via no Brasil. O que estaria acontecendo aqui?

Simples passatempo, pura e simplesmente. Vi muita gente conclamando que o povo deveria se manifestar sobre assuntos importantes como política com o mesmo interesse que se manifestava sobre a copa. Mas, pensando bem, não o fizeram? Fora Sarney não foi um trending topic também?

Política

E ja que a maior cobrança era sobre manifestações políticas ao inves de futebolisticas, fiquei pensando no meu voto. Sim, porque eu fiz questão de ir ao consulado de Londres, perder 2hs na fila para ter que voltar na próxima semana e perder mais duas (fui justamente quando Eyjafjallajökull interrompia meio mundo, deixando assim o consulado sem selos oficiais) para garantir que minha opinião seja registrada na eleição deste ano. Opinião esta insegura, na linha de escolher o menos pior, desanimada pelas pesquisas, mas mesmo assim, decidi nao anular meu voto e tentar desfazer a burrada que fiz 8 anos atras quando votei no Lula.

Eu comecei a votar com 16 anos, mas muito antes disto, eu queria participar. Fiquei extremamente infeliz com o resultado da eleicao de 1989 – eu sempre fui muito precoce para tudo, e com 12 anos ja tinha opinião sobre quem eu confiava ou não. Bastante ingênua, mas concordava com coisas sobre o não pagamento da dívida externa, que era um absurdo a quantidade de dinheiro que arrecadavamos comparado com o estado da saúde e das estradas do país. Que a quantidade de ministerios era muito grande, e que cada candidato apenas aumentava este numero. (Que diferença para hoje em dia!!!)

Entao de 94 a 2002, eu votei no Lula. Acreditava que seria diferente. Acreditava naquela indignação sobre a corrupção imperante no Brasil. Ah, como eu fui ingênua. O governo Lula e o PT, na minha opiniao, constitucionalizaram a corrupção, na maior cara de pau. Afinal, se um pais inteiro reelege um candidato cujos coordenadores de campanha foram preso com 2 milhoes de reais para um falso dossiê, cujo inteiro grupo de amigos e apoiadores mais proximos foram todos afastados pelo escandalo do mensalão – e não me venha com xurumelas dizer que ninguém foi condenado ainda, porque impunidade dos seus é a segunda coisa institucionalizada por este governo – aceitou definitivamente que corrupção faz parte. Por todos os lados, quando eu digo que vou votar em quem quer que seja para tirar o PT do poder para passar a mensagem que corrupção não eh aceitavel, todo mundo que vai votar no PT me diz “ah, mas todo mundo rouba”. Caracoles. Eu não roubo, porque vou aceitar e ainda dar permissao para me roubarem?

Brasil

O que me leva ao último ponto. O problema não são os politicos. Se fossem, alguém novo que entrasse mudaria algo, e pode entrar quem seja, não muda o cenário. O problema é o brasileiro. O problema é não ter em quem votar, porque todo mundo, absolutamente todo mundo que entra para esta vida vai para se dar bem. Seja por dinheiro, seja por poder, por favores, todos eles governam pensando na próxima eleição, não em que seria melhor para o povo. Eu não acredito em nenhum, nenhum politico, e ja repeti isto muitas vezes. Todos os politicos envolvidos com software livre no Brasil são tremendos demagogos, vendo no SL uma bandeira a mais para se abanarem. Muita gente envolvida com política não entende a aversão que temos deles, mas é bem simples: imagine que eu trabalho duramente de manhã cedo ao fim da tarde, pago impostos, tenho deadlines e tudo é feito sempre pensando em cortar custos. Deste meu dinheiro, saem os impostos que pagam viagens de caravanas de 50 pessoas para eventos de software livre, para mostrarem que em dois anos fizeram o trabalho que se fossemos nós em nossa empresa, teriamos um prazo de um mês. Claro que eles sabem muito bem porque detestamos esta mistura, mas fingir que não entendem é bem mais facil.

Mas voltando ao ponto, o problema é que o brasileiro é corrupto. O brasileiro paga 50 reais ao guarda para não ganhar uma multa por estar dirigindo fora da velocidade permitida. O brasileiro adora quando recebe o troco a mais. O brasileiro acha que não tem nada de mais enganar um bêbado na conta. É a centenar história: farinha pouca, meu feijão primeiro. E vou um pouco mais além: o homem brasileiro acha bonito trair, acha que é mais macho por enganar a pessoa que esta do lado dele todo dia e toda noite. Se trair seu principal companheiro é aceitável, porque não o seria com alguem bem menos próximo?

E quando penso nisto, tenho a maior vontade de votar nulo, porém isto seria desperdiçar meu voto, seria apenas uma falsa sensacão de nao compactuar com a situação. Mas isto seria apenas me isentar das responsabilidades e não me adiantaria nada, então me contento em tentar desautorizar esta bandalheira que rola solta. Além do mais, não votar na Dilma é uma escolha muito obvia. Concordo plenamente com as analises de que a Dilma que existe nao é candidata, e a que é candidata não existe. A Dilma é apenas um fantoche que marketeiros estão tentando fazer funcionar. Ela apenas recita o que é passado, e mesmo assim, sem a menor competência.

A Marina Silva parece bastante coerente nas suas posiçoes, mas preciso ler mais a respeito. Confesso que o fato de ser evangélica me dá arrepios, vide o que acontece no Rio de Janeiro. Acredito em um estado laico, onde pessoas que pagam seus impostos igualmente deveriam ter os mesmos direitos igualmente, e que religiao é uma questao individual que nunca deveria ser usada para suprimir de outras pessoas a liberdade individual. Mas lembrando dos medicamentos genéricos, a batalha contra as empresas de cigarros, e lendo o histórico de vida, meu voto atualmente vai para o Serra. Um candidato que nunca teve muito a minha simpatia, nao sei bem porquê. Talvez seja a semelhança com o Mr Burns. Mas no momento, é o que me decidi. Se ele ganhar, não sera uma vitoria, mas pelo menos não será uma derrota tão retumbante perante a intimidação da imprensa, a corrupção e a vergonha que me dão os discursos do nosso presidente.

Enfim

Bom, aí esta minha manifestação sobre política. Se vai alcancar tanta audiência como meus twitts sobre a copa não sei, mas espero. Se eu prometer fazer isto toda eleição, posso torcer sossegada?

Parabéns Espanha! Bem vindos ao clube ;)

E fica aqui o desejo que um dia não só o Brasil mas como todo o mundo valorize mais a honestidade, o trabalho e a igualdade que dinheiro e status. Que uma pessoa valha mais por seu caráter, não pelo tamanho da casa ou o preço do carro. E que cada seja feliz o suficiente com a própria vida para não estar cuidando e ditando como os outros devem levar as suas próprias vidas.

April 5, 2010

Almost one year

Filed under: Uncategorized — sulamita @ 9:14 am

Quase um ano depois (pt_BR)
Traduçao feita a bronc^H^H^H^H pedidos:

Semana passada recebi uma carta da imobiliaria dizendo que meu contrato estava para vencer e se eu queria renovar. Nossa, já passou um ano inteiro? Quase…

Quase um ano depois e uma visita ao Brasil me deram mais confiança na minha decisão, e eu posso dizer que este está sendo o periodo mais feliz da minha vida. Depois de quase quatro anos de namoro, Hector veio morar comigo. Estou viciada em chá, um a tarde e um descafeinado antes de dormir. Eu mudei meu cafe para descafeinado e minha Coca Cola Zero para Coca Cola Diet Descafeinada e curei meus problemas de insônia. O trabalho vai bem, vivendo momentos no mínimo interessantes, e ultimamente quase todo o meu tempo tem sido dedicado a aprender C++ e Qt. Minha unica resolução de ano novo eh ir para a academia 5x por semana, inspirada pelo video 365 dias de exercicio – o que Murphy não está disposto a cooperar* – e deixar meu cabelo voltar à cor natural, apenas para lembrar que cor eh esta. Eu ate cortei um pedaço grande dele para tirar a parte mais estragada, de tantas tinturas e loucuras eu tenho feito nos ultimos 15 anos. A primavera por aqui começa a mostrar as primeiras cores, e a vida segue bem.

Um ano depois, as experiências que eu tive por aqui tambem foram bem diferentes…

Sistema de Saude

Eu finalmente consegui entender e usar o sistema de saude por aqui. O NHS, o sistema inglês, supostamente eh um dos melhores do mundo. Mas para alguem acostumada a usar o sistema de saude privado em São Paulo, o que eh excelente, foi um choque. Aqui eu preciso ir consultar meu GP, clinico geral, para tudo. O clinico gasta no máximo 10 minutos em cada consulta, e decide se vai te dar alguma medicação ou encaminhar para um especialista. A primeira vez que eu consultei um porque minha fibromialgia estava atacando, recebi um anti-inflamatorio que quase reabriu minha gastrite, então eu nao estava muito entusiasmada para voltar. Porem cinco meses atras eu cai enquanto tentava andar de patins, e machuquei meu ombro. Eu pensei que iria curar por si mesmo, porem depois de tanto tempo, ja era hora de procurar ajuda. Eu fui ao meu clinico, que disse que provavelmente eu apenas precisaria de alguma fisioterapia. E ainda me disse que ainda bem que eu tinha plano de saúde privado pois assim poderia conseguir mais rapidamente, se fosse esperar pelo sistema publico levaria meses para conseguir.

Infelizmente a fisioterapia nao foi suficiente, e depois de três sessões ficou claro que eu ia precisar de recursos mais fortes. Mas daih eu precisava voltar ao meu clinico para informar e pedir outro encaminhamento para um especialiasta. Agora começa meu calvário… primeiro, encontrar um especialista. Como eu iria usar meu plano , o clinico não me deu nenhuma referência, apenas disse para eu procurar no Google ou nas páginas amarelas. Meu seguro de saúde me disse que não poderia me dar nenhuma referência porque eles pagam os médicos depois, o que para eles é conflito de interesse. Então começo a buscar hospitais online e ligar para tentar marcar uma consulta. Depois de muito ligar e ser transferida de ramal em ramal ate conseguir chegar a uma clinica ortopedica, e a primeira pergunta é se eu tenho a carta de referência do meu GP. Eu repondo “Sim!”, bem feliz. Então, vem a decepção – ‘o seu GP é que tem que nos contactar para uma consulta, não você, não é assim que funciona’. A esta altura eu comecei a chorar, de frustração, de dor no ombro, de confusão. Eu não entendia o processo, eu não entendia o sotaque da maioria das pessoas que eu tentava falar por telefone, elas não entendiam o meu, e parecia que eu estava em um loop. Quando me acalmei, comecei a pensar e tive uma idéia, liguei novamente e quando me perguntaram se eu tinha a carta do GP, eu respondi que tinha seguro privado. Bingo! Ou quase, eu teria que esperar por 3 meses para uma consulta. Finalmente eu consegui uma referencia com minha fisioterapeuta, e consegui uma consulta com um especialista em traumas/esportes/membros superiores(ombro). Até agora eu não entendi esta história de especialistas, no Brasil seria um ortopedista e pronto. Aqui eles tem osteopata, que eu não sei bem onde se encaixa, especialistas em traumas e cirurgião ortopedista. E sem mencionar o plano de saúde debatendo se o médico era um ‘medico’(physician) ou ‘consultante’, e que não poderia requisitar exames, o que mais tarde eles pareceram esquecer. Bom, no fim, consegui o pedido e fazer a ressonância magnetica, e depois uma injeção de cortisona diretamente na bursa. Você sabe que está ficando velha quando o médico te explica o que é bursite. A injeção foi horrível, doeu pacas e eu acho que fiquei um pouco chapada, eu mal conseguia formar frases completas. A dor foi imediatamente piorada depois da injeção de tal forma que nenhuma posição melhorava. Mas depois de algumas horas, eu comecei a sentir meu ombro melhor do que antes da injeção. Nos próximos dias foi melhorando cada vez mais, e apenas uma semana depois eu já estava quase completamente recuperada. Agora estou fazendo fisioterapia para fortalecer os músculos e melhorar a postura. O desafio agora é convencer minha personal que isto não quer dizer que eu já posso usar pesos.

Eu ainda não estou segura sobre a grande diferença nos sistemas. Para ver meu GP, eu tenho que marcar uma consulta, que não raramente leva dois dias. No Brasil eu iria sem consulta marcada e esperaria 3hs para ser atendida – literalmente, eu tive que fazer isto durante as férias. Ambos os sistemas me fariam esperar meses pela fisioterapia, e Deus sabe quanto tempo pela ressonância. Talvez no Brasil seriam anos ao invés de meses? Mas sabe, saúde é algo muito caro. Eu recebi o extrato das despesas que o plano está cobrindo, e apenas a ressonância custou 799 libras, quase 2200 reais. Não é de se admirar que os sistemas de saúde pública sejam tão problematicos em todo lugar…

Ah, e eu disse que Murphy não está afim de cooperar com minha resolução de treinar mais vezes por semana porque apenas 10 dias depois das ferias, quando meu corpo estava começando a entrar no ritmo novamente, eu caí na rua e machuquei meus joelhos. Então por quase 3 semanas, nada de academia. Depois dos joelhos melhorarem, eu ainda precisava poupar o ombro. Mas eu sou teimosa, eu vou continuar com minha resoluçao. E depois de estar me sentindo miserável, eu realmente valorizo minhas juntas, o simples fato de andar onde eu quero e rotacionar meus braços me deixa super feliz. Dancinha! \o\ /o/ _o_ |o|

Roupas

Eu ainda estou aprendendo a me vestir aqui, e mais importante, o que comprar. Quando o verão acabou e o outono começou, eu descobri que estava sendo otimista demais com minhas compras. O casaco mais pesado que eu tenho, um sobretudo de lã grosso que eu comprei em Portland e usei no máximo 3x no Brasil, rapidinho não era mais suficiente. Tamanhos também são complicados. Você não pode comprar um casaco no seu tamanho, você tem que comprar um tamanho maior para poder colocar uma blusa de lã ou moletom por baixo. E infelizmente pra mim, meu ponto fraco são meus pés, o que quer dizer que eu não posso usar meus sapatos preferidos sem congelar meus pés, o que me salvou foi uma bota de neve que minha sogra me deu. Para resistir ao frio, você começa a adicionar camadas e camadas de meias, meia-calça, polainas, moletom, casaco, camisas de lã, e sobretudo. Isto e mais luvas, cachecol e um chapeu. Mas isto dura 10 minutos, até você entrar em um trem ou ônibus e começar a tirar tudo. Então eu comecei a perceber que não valia a pena o esforço, era sempre no máximo uma quadra até o ponto de ônibus ou do ônibus/trem para o escritório. E mesmo com todo este esforço, meu nariz ainda congelava. Ver a neve pela primeira vez foi muito legal – especialmente porque eu experimentei apenas dois dias antes das férias e dois dias depois – mas quando está abaixo de zero, até meus dentes doem se não tenho o rosto protegido dentro da gola do casaco. Então eu tive que aprender também a planejar de acordo com as atividades. Se eu vou estar na rua por algum tempo, vale a pena investir e se encapotar. Se é apenas uma caminhadinha rapida, não vale a pena. Agora é aprender quando fazer o que, eu falhei miseravelmente em calcular isto a ultima vez que fui a Camden Town, um bairro de Londres que parece uma grande galeria do rock. Mas agora eu encontrei o maravilhoso mundo das malhas com isolamento térmico, o que me deixa novamente feliz. E outra coisa, o número de casacos e camadas geralmente entrega quem é de fora.

Sapatos também são complicados, porque são muito mais aleatórios do que parece. Supostamente, meu tamanho converteria para um tamanho 6. Muitos sapatos são importados de outros países da Europa, onde o meu tamanho é 39. Mas o problema é, isto se aplica praticamente metade das vezes, nas outras vezes pode ser um 5 ou 38. O que é ainda pior quando sua loja de sapato é online.

Eu finalmente aceitei o fato de que não existe tecido que usem para fazer calças apropriadas para esta temperatura. Eu tentei meia-calça fio 80 com saia, e realmente não faz muita diferença a um par de calças jeans. O que claramente mostra quem são os nativos é o fato que eles não precisam de camadas. Eles saem bravamente com as pernas nuas ou apenas um casaquinho sobre a camiseta. Amostrados. Eu nunca tive coragem de perguntar se eles tomaram algum conhaque antes de sair…

Cozinhando

Você nunca vai acreditar em quanto vocabulário você realmente precisa para tarefas simples como as compras da semana. O que exatamente é basil? O que é celeriaco? Como vou cozinhar feijão sem panela de pressão? Alias, onde encontro feijão preto? Eu prefiro sirloin, rump steak ou angus? Ou deveria apenas para de comer carne porque esta história é muito complicada? Com os preços da carne aqui, é até uma idéia tentadora. O melhor é que bacalhau fresco, atum e salmão aqui são muito mais baratos que carne vermelha, o qual eu já estava diminuindo a quantidade consumida. E sinceramente, um bom bife fresquinho de atum grelhado é melhor que carne.

Eu estou até testando novas receitas. Comprei minha própria cassarola, e fiz um cozido de ovelha, que cozinha lentamente por 1:30hs. Ficou bom, mas dá pra melhorar. Geralmente preciso tentar 3x para acertar uma receita. Eu fiquei tão encantada pelo filme Julie & Julia que eu comprei o livro e aprendi a fazer ovos ponché, perfeitos. Toda fim de semana eu tento algo mais elaborado, tipo batata fungui, e tem sido uma grande tradição.

Notícias daqui por jornais brasileiros

É inacreditável a quantidade de notícias completamente irrelevantes e completamente ridículas que os jornais brasileiros escolhem para publicar sobre a Inglaterra. Os favoritos são os estudos científicos mais absurdos possíveis, mas eu diria que 90% do que se publica no Brasil não sai nos jornais locais. E o pior é que são anunciados como se fossem algum grande acontecimento aqui. Festivais que ninguém ouviu falar, lojas ou restaurantes obscuros, histórias bizarras contadas por algum tablóide. Algumas vezes eu acho que fazem de propósito, para parecer que tudo por aqui é ridículo.

O que até faz sentido, na verdade. Se eles publicam o que realmente está acontecendo, pode levantar comparações indesejáveis com o Brasil, afinal, há que manter-se a imagem do melhor país do mundo, né? Por exemplo, um dos maiores debates aqui nos últimos tempos foi o escândalo do abuso das despesas parlamentares. Mas isto só estava em discussão porque todo mundo tem acesso as despesas declaradas, inclusive as do primeiro ministro. Certamente, houve muitas discussões e políticos tentando provar que não haviam feito nada de errado, mas no fim das contas, os contribuintes tem todo o direito de saber onde o dinheiro está sendo usado. Já no Brasil… bom, não vamos entrar neste assunto outra vez né?

No começo eu li algumas vezes um blog de um cara vivendo em Londres, mas ele era tão chato que eu não aguentava, sempre reclamando, de uma maneira bastante grosseira e muitas vezes achando que todo mundo compartilhava a opinião, e eu sabia que não era verdade. E não é que eu não goste de ranzinzice, pelo contrário. Meus programas de TV preferidos atualmente são Velhos Ranzinzas e Jovens Resmungões. Mas existe uma grande diferença entre ser ranzinza de uma maneira sarcástica e inteligente ou ser apenas sem noção. Então, eu estou evitando ler notícias sobre a Inglaterra na imprensa brasileira, não vale a pena.

Notícias do Brasil aqui

Isto é algo que ainda me deixa pasma. Os responsáveis pelas Relações Públicas deste governo são os melhores de toda a história. Tipo, uma semana depois do Rio de Janeiro ser declarado a sede das Olimpiadas de 2016, eu pensei ‘isto vai ser uma bomba’. Dias depois, nada. Eu comecei a ficar intrigada, como assim ninguem estava falando a respeito, ninguém me perguntava… procurando no site da BBC, encontrei uma nota pequena a respeito, em um canto sem muita importância. A visita do presidente iraniano foi outra surpresa. Enquanto nos jornais brasileiros Lula expressava toda sua amizade a Mahmoud Ahmadinejad, defendendo sua eleição e dizendo sandices tipo ‘não conheço ninguém, a não ser a oposição, que tenha discordado da eleição do Irã… Por enquanto, é apenas, sabe, uma coisa entre flamenguistas e vascaínos’; no exterior Lula aparecia como alguem tentando dialogar e arrazoar com Ahmadinejad. Tipo, SRSLY? O que será que precisa para o mundo começar a perceber que entre Chavez e Lula não tem assim tanta diferença? Olha os argumentos de ambos, são iguaizinhos. Diga-me com quem andas que te direi quem és – os melhores amigos do Lula ultimamente são o Chavez, o Fidel, e agora, Ahmadinejad.

Ah, claro, e tambem tem a parte comica. A ultima que eu vi foi ‘Brasil acaba com a corrupção’ e os comentários de ‘que exemplo a seguir!’. Daí eu decidi parar de ler jornais brasileiros tambem. Pra quê?

Xo-Xo, Jovem Resmungona

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So last week I received this letter from my landlord – actually the agency representing my landlord – saying that my contract was due and if I wanted to renew it. Wow, one entire year already? Almost…

Almost one year later and one visit back to Brazil has made me more sure about my decision, and I can say that’s the happier period of my life. Hector moved in with me, finally, almost four years now. I’m addicted to tea, one in the middle of the day and one decaf before going to bed. I changed my coffee and Coke to decaf and this fixed my insomnia problems. Work is going great, interesting times, and I’m spending most of my time trying to learn C++ and messing around with Qt. My only resolution for this year is to go to the gym 5x a week – which Murphy seems to disagree* – and grow my hair back to its natural colour, just to remember how it is like. I even cut a large piece of it, so damaged it was from all the tints I’ve being applying in the last 15 years. Spring is showing its first colours, and life is really good.

One year later, the experiences I had were also different.

Health Care

I finally understood and hacked down the healthy system. You see, NHS, UK’s health system, is suppose to be one of the best in the world. But I was used to the private system in Sao Paulo, which is really really good. In here I need to go see my GP first for anything, who only spends maximum 10min with me before deciding if s/he’s going to give me some medicine or send me to a specialist. First time I tried, because my fibromyalgia was kicking in, I got a prescription for an anti-inflammatory so strong it almost gave me my gastritis back. So I wasn’t trilled to go back, but I had to. Six months ago, I was trying to skate, and I felt down on my shoulder. I thought it would heal itself, but after that long, I was just tired of waiting. I went to my GP, who said that probably I only needed physiotherapy to get it back on shape. Since I got private insurance, I was able to do it quickly, otherwise it would be several months to get it.

Unfortunately, physiotherapy was not enough, and after three sessions it became clear I would need stronger resources. But I had to go back to the GP to inform and get a request for a specialist. This was the most frustrating part. First, to find the doctor. Since I was going through the private insurance, the GP didn’t gave me any names, just said to check on the yellow pages or Google. My private insurance company wouldn’t give me any referrals either because they think it’s ‘conflict of interest’, since they pay the specialist. So I found some hospitals online and called in to book an appointment. Going around and around trying to finally get the number for the orthopaedic clinic, extension and whatever to finally try to book a consultation, the first questions is if I have a referral from my GP. Yes, I do! Then the disappointment – your GP needs to send the request, not you. At this point, I started crying, so much frustration, I couldn’t understand the process, I couldn’t understand the accent most people I was trying to contact and they couldn’t understand mine, I was in pain and feeling in a loop without a way out. Then I calmed down and started thinking, I called back to the hospital and when they asked me if I got a referral, I said ‘I have private insurance’. Bingo! Or almost, I would have to wait 3 months to get an appointment. I finally got help when my physiotherapist gave me an indication, and I was able to book an appointment with an Injuries/Sports/Upper Limb(shoulder) Specialist. So far, I still don’t understand the specialities: in Brazil it would be an orthophedist and that’s it. Here they have an osteopath, which I’m not sure where fits, injuries specialists and the orthopaedic surgeon. And let’s not even talk about the health insurance saying the doctor was a physician and not a consultant(?), and could not request exams, which later they seemed to think otherwise. But even so, I managed to get a request and then a shoulder MRI, then a cortisone injection directly to the bursa. You know you’re getting old when your doctor explains to you what is bursitis. The injection was horrible, painful and I think got me high, I wasn’t able to make full sentences. The pain was aggravated immediately after the injection, so it was a miserable day where no position would make it better. But some hours later in the evening, I started to feel my shoulder better than before the injection. In the next days, it was getting better and better, and only one week later I’m fully recover. Now doing physiotherapy to strength the muscles around and get a better posture. The trick now is to convince my trainer that this doesn’t mean she can have me lifting weight yet…

I’m still not sure about the big difference on the systems. To see my GP, I need to make an appointment, and it’s not unusual to have to wait two days for that. In Brazil I would make no appointment and wait for 3hs – literally, I had to do that while I was there during the holidays. Both systems would make me wait for months for physiotherapy, and God know how long for an MRI. Maybe in the case of Brazil it would be years? But health it is really expensive. I received a letter from my insurance company stating the MRI costed 799 pounds, almost 2200 reais. No wonder the system is so difficult anywhere…

Oh, and I say Murphy disagree with my resolution to go to the gym more often because about 10 days after the holidays, when my body was starting to get back on track fitness-wise, I fell down on the street and hurt my knees badly. So, no gym for almost 3 weeks. After getting my knees better, I still need to go slow on the shoulder. But I’m persistent, I will continue to pursue my resolution. And after being that miserable, you really valuate your joints, so just the fact that I can walk and rotate my arms make me very happy. Let’s dance! \o\ /o/  _o_ |o|

Clothes

I’m still learning what to dress, and more important, what to buy. Once summer was over and autumn started to kick in, I discovered that I was being very optimistic with my purchases. The heaviest coat I had, a wool full length coat bought in Portland and used only there and about 3x in Brazil, very soon was not enough. Sizes are also tricky. You can’t buy a coat in your size, you need to buy one size extra so you can put a jumper or sweater underneath. And unfortunately for me, my weakest part are my feet, which mean I can’t use my shoes without freezing my toes. Then you start adding layers and layers of leggings, socks, sweaters, wool shirts and coat. Plus gloves, scarf and a hat. But then you enter the bus or train, and half of that goes off immediately. So I started realizing all that effort was mostly to walk one block to the bus station, and one block to work. And even with all this effort, my nose would freeze. Snow was really cool – specially because I only got like four days of it – but makes my tooth hurt if my face isn’t protected. So I had to learn to adjust the layers according to the plan. If I’m going to stay outdoors for some time, it’s better to be very warm. If it’s just a couple of blocks, not so much. Now the trick is to be able to predict exactly how much are you going to be outdoors, I miserably failed to predict that last time I went to Camden Town… but now I found the wonderful world of insulated fleeces, so I’m good. And usually, the amount of coats and layers tell off who is new in town.

Shoes are also being tricky, because it’s much more random than should be. Supposedly, my size would convert to a size 6. Many shoes here are sold in the European metric, in which case would be 39 for me. But the problem is, almost half of the time, I find that I may be a size 5 or 38. Which is horrible when your favourite shoe store is online…

I finally accepted the fact that there is no fabric to make trousers proper for winter. I tried the leggings 80 with skirt, and it doesn’t make much difference from a pair of jeans. What clearly distinguish the natives from outsiders is the fact that they don’t need layers. They go bravely with bare legs or just one sweater over the t-shirt.  Show off. I never got the guts to ask if they had any cognac to heat up before going out…

Cooking

You never realise how much vocabulary do you actually need for simple things like shopping. What is basil, exactly? What is celery? How can I cook black beans? And where are the black beans, by the way? Do I like sirloin, rump steak or angus, or should I just stop eating meat? With those prices, it’s a tempting idea. The best thing is that cod, tuna and salmon are cheaper than meat, which I was reducing the intake anyway. And I gotta tell you, sometimes a fresh tuna steak is better than meat.

I’m even trying some new recipes. I bought my own casserole and did lamb stew, which cooks slowly on the oven for 1:30hs. It was good, but I can do better. It usually takes me three trials to master a recipe. I was so captivated by the movie Julie & Julia that I bought the book, and learned how to make perfect poached eggs. Every week we make something more elaborated, like potato fungi, and it’s a great tradition so far.

Oh, and for the smart asses there: yes, I know which meat cuts are what, and my favourite is the same: fillet.

News from here outside

It’s unbelievable the amount of completely irrelevant and utterly embarrassing news Brazilian newspapers choose to publish about Britain. Their favourites are the weirdest possible ‘scientific research’, but I would say 90% of the news you read about UK in Brazilian papers are not in the local newspapers. And the worst is that sounds like that was the big news around here. Festivals no one heard about, obscure stores or restaurants, bizarre stories told by some tabloid. Sometimes I think they do that just to make this image that here everything is about this silly issues.

Which would make sense, because if they publish the real thing, the readers either won’t be interested or they would start comparing with Brazil. For example, one of the biggest discussions of last months was around the parliamentary expenses. But that was only in discussion because everybody has access to what they declare as expenses. Sure, there was many arguments and politicians trying to pretend there was nothing wrong with it, but in the end of the day, contributors have the right to know where their money is being used. Back to Brazil… no need for comments, right?

Back in the first months I started reading this blog from this guy living in London, but he was so annoying I couldn’t bear it, always complaining in a very rude way and many times pretending his opinion was shared with everyone living here. And it’s not like I don’t like grumpiness, on the contrary. My favourite TV shows now are Grumpy Old Men and Grouchy Young Men. But there is a difference between being grumpy in a sarcastic intelligent way and being just rude and clueless. So, I’m avoiding reading news about UK in Brazilian press, it just doesn’t worth it.

News of Brazil from here

That is something that I’m still not over. The Public Relationships team working for this government it’s the best team evah. I mean, only a week after Rio de Janeiro was announced as the host for the Olympics 2016, drug dealers shot down a military helicopter – and here no one knew it. When I saw the news in Brazilian online newspapers, I though “this is going to be a bomb”. But nothing. Several days later, I couldn’t understand, so I started looking for related news at BBC news website and others, and only found a small note about it, thrown at some corner with no importance. The visit of Iranian president was another point to understand that. While on the Portuguese news websites Lula was supporting  Mahmoud Ahmadinejad, defending his election – he literally said the protesters were just a political opposition minority, and it was a matter similar to rivalry in football - and another insanities, outside he was being portrait as someone trying to talk some senses into Ahmadinejad. I mean, really??? What will take to the world to understand that between Chavez and Lula there isn’t that much of difference? That there is a reason why Lula’s best friends are Chavez, Fidel, and now, Ahmadinejad?

There are also the comic pieces. The last one was “Brazil ends corruption“, and people claiming “what an example to follow!”. Oh geez… but then I decided to stop reading Brazilian newspappers. Why would I?

XoXo, Grouchy Young Woman

December 16, 2009

O que eu quero…

Filed under: Uncategorized — sulamita @ 9:08 pm

Eu quero malhar todo dia e fazer como o cara dos 365 dias de exercício. Não só pra ficar malhada e perder peso, mas pelo exercício mesmo, por suar, sentir os musculos trabalhando, reclamando, ficando mais fortes e sentir a endorfina kicking in. Eu quero voltar pro kung fu e pra dança do ventre. Quero treinar nos meus patins até saber brincar num vert. Quero ir de bicicleta pro trabalho.

Mas eu também quero passar metade do dia dormindo, ler mails e ver TV o resto do tempo.

Eu quero ler a pilha dos livros que compro e leio pela metade. E depois comprar outra pilha…

Eu quero ir esquiar. Mas também quero ir pra praia… Quero visitar a Itália, Grécia, e fazer um tour pela França – ah Paris… mas também quero ir pra Indonésia e finalmente tirar minhas férias no Tahiti.

Mas Tahiti vai ser pra lua de mel. Eu quero casar. Mas também quero comer o Brad Pitt… e o Vigo Mortensen…

Quero ir morar na Australia. Mas acabei de chegar em Londres… e quando chegar lá, vou querer ir morar… sei lá, chegando lá certamente eu vou descobrir.

Quero fazer aula de teatro. Quero voltar pra aula de canto. Quero aprender a tocar bateria. E guitarra. E violão.

Quero fazer plastica no nariz. E botar silicone. E bem capaz que eu vou entrar na faca por causa disto, ha ha.

Quero aprender francês. E italiano. E daí acho que tá bom.

Ainda bem que devo ter mais uns 30 anos pela frente… é, quem sabe começo amanhã :)

November 1, 2009

Londres – alguns meses depois…

Filed under: Uncategorized — sulamita @ 9:29 am

Há algumas semanas, viajei para San Francisco, USA, para participar do Intel Developers Forum, apresentando o Moblin. Era a primeira viagem desde a minha transferência, e muitos colegas que não via há algum tempo queriam saber como eu estava me adaptando. Em poucos dias, eu já estava com saudades de casa, e pela primeira vez casa realmente significava Londres. Dizem que você precisa passar seis meses em algum lugar para oficialmente se ambientar, e eu estou caminhando para meu sexto mês, então acho que estou quase lá.

Minha maior saudade quando estava fora claro era meu apartamento, minha cama, meu travesseiro, minhas coisas. Depois de tanto trabalho para deixar tudo do jeito que eu queria (cancerianos, argh…) – desde procurar quem montasse o guarda-roupa comprado peça por peça na IKEA, pintar e montar os pés da mesa do computador e levantar sozinha o tampo de vidro de 32kg, até os adesivos de flores na parede – natural que eu queira aproveitar. Mas, me acostumei com muitas outras coisas aqui também.

Acho que o fato mais prático é a sensação de segurança. Claro, como qualquer outra cidade, Londres tem seus crimes e assaltos, mas é infinitamente diferente de São Paulo, onde eu dirigia sempre olhando no retrovisor, morria de medo quando voltava para casa muito tarde ou de madrugada, evitava usar celular na rua e não assistia mais noticiário para não ficar paranóica. Só isto já vale a viagem. Tenho que parar agora de ver notícias do Brasil tão frequentemente, porque toda vez que leio fico deprimida pelos amigos e família, mas também feliz por ter saído. Aqui, mesmo os bairros considerados perigosos como Brixton não são assim tão perigosos, três dos desenvolvedores no trabalho moram lá e dizem que não é assim tão ruim.

Porém uma das coisas que eu mais gosto é o fato de que qualquer dia, em qualquer lugar, você vai ouvir pelo menos meia dúzia de idiomas diferentes: francês, japonês, alemão, outros que não reconheço e claro, portugues. Não passa um dia em que eu não ouça brasileiros nesta cidade. Desde tias peruas se achando o máximo tirando foto no Big Ben a amigos conversando no onibus. Minha nova personal na academia é brasileira, assim como outro treinador e uma recepcionista. Ainda assim, aqui no escritório, com pouco mais de 20 pessoas, diria que menos da metade são ingleses. Mulheres de sari e até de burka são comuns, lado a lado com micro-saias no metro. O povo da universidade lá de Sao Bernardo deveria passear um pouco por aí…

Levei duas semanas para entender o que as pessoas falavam. Ainda tenho que me concentrar quando algum escocês fala. Mas atualmente já consigo seguir as piadas dos programas de televisão, tanto pelo sotaque quanto pelos acontecimentos da semana. Tirar sarro do primeiro ministro está sempre na agenda destes programas. O humor aqui é bem diferente, ácido, sarcástico, beirando – e as vezes ultrapassando – os limites da indignação. Este fim de semana também comprei e assisti o The Office original, com Ricky Gervais, antes só havia visto o americano, com Steve Carrel. A diferença entre os dois programas reflete bem o tipo de humor britânico. E enquanto o personagem do seriado americano as vezes dá até pena, eu nunca havia odiado tanto um personagem quanto o gerente na versão inglesa. Juro, quando ele entrava em cena eu queria esganá-lo. Por coincidência a noite estava passando na TV um stand-up dele, onde eu não acreditava no que estava ouvindo. Não é a putaria ou apelação que a gente vê no programa do Gugu ou Zorra Total, mas dá pra ficar chocado. Ou não :) Outros que eu gostei e estão disponíveis no Youtube foram Phill Jupitus falando sobre um louco que entrou na área dos leões no zoo de Londres e sobre aracnophobia.

A comida aqui é o que o povo que vem de fora mais reclama – e o que os ingleses mais gostam quando viajam para fora do país deles. Porém não é impossível ter uma boa alimentação – você precisa ou ganhar muito, mais muito bem, ou saber cozinhar. Eu almoço fora de 3 a 4 vezes por semana, o resto eu faço em casa. Almoço de dia normal é sanduíche, comprado na esquina em alguma loja de fast food e comido na cozinha do escritório com toda a galera – o que também é outro exercício para mim, é como acompanhar as piadas internas do seriado Friends sem ter visto as temporadas anteriores. Alguns trazem comida de casa – muita sopa enlatada – ah, e aqui também é muito mais fácil encontrar comida vegetariana variada. Porém o que eu mais sinto falta é de um bom sushi… só encontrei sushi fast-food e restaurantes na faixa de 100 libras por pessoa – com este preço eu vou fazer um curso de sushi né…

Este mês finalmente comecei a ir pra balada. É engraçado estar em um ambiente onde a grande maioria das pessoas não sabe dançar. As inglesas querem ser sensuais, mas o resultado digamos, não é o esperado. As polacas dançando como robozinhos, me lembra as amigas de colégio que vinham de Pomerode ou alguma cidade assim, que nunca tinham ido a uma festa e se empolgavam. As brasileiras dançam fazendo biquinho. Enfim, pra mim é divertido ficar observando, mas o que eu ainda não entendo é porque os homens que saem pra caçar ainda não entenderam que os poucos que aprendem a dançar tem suas chances multiplicadas por 10.

Quando cheguei estava começando o verão, e tivemos muitos dias de sol e céu azul. Alguns poucos dias a temperatura chegou a 30 graus! Me disseram que foi bom eu ter chegado naquela época para me ambientar, quem chega no inverno fica deprimido de cara. O inverno mal está começando, e a temperatura média já está na casa dos 10 graus. Hoje mesmo é um dia pelos quais Londres é conhecida, cinza, frio, chuvoso – porém a chuva aqui é mais parecida a garoa de São Paulo que uma chuva propriamente. Tivemos um dia igual a este algumas semanas atrás, e uma mulher do escritório comentou comigo que nestes dias a taxa de suicídio deve ter subido imediatamente. Ainda não me afeta, mas pra muita gente é insuportável. Eu acho que este tipo de tempo apenas amplifica os sentimentos daqueles que querem voltar ao lugar de origem ou algum lugar mais simples. Eu por enquanto não planejo ir a nenhum lugar tão cedo, só se for para passear…

October 30, 2009

Lo dia Internacional de hablarse portuñol

Filed under: Uncategorized — sulamita @ 1:08 pm

En homenage a el día internacional de hablarse portuñol, una singela colaboracion do Héctor:

“Hoje e o dia internacional do portunhol.

Isse e um dia muito grande para tudos os falantes das nossas lenguas entremescladas.

O dia cuando voce pode falar como um gringo, disser estupideces, e ficar no meio da rua pelado, fazendo um protesto espanhol. Nesse mismo dia voce vai confundir espanhola e cubana, largo e ancho, e um culprido etcétera.

Nessa larga jornada, voce vai ter que fazer frente a petiçoes de escreber coisas em uma lengua que nao e a sua, intentando aparentar que voce conhece, mais na realidade nao sabe uma merda. Mais como sona do mesmo jeito, todos nos achamos que falamos a mesma coisa.

Para o espanhol medianamente culto suponiendo que isso existe, falar portunhol consiste em reemplazar o vocabulario por aquele falado por Don Quijote, e ficar bem atento a as palavras que ja cairon em desuso deste lado do oceano. Ademais, voce vai ter que utilissar um tono cantarin cuando fale, en ves do tono seco proprio dos nossos grossos espanhois.”

July 23, 2009

Skydiving – pictures

Filed under: Uncategorized — sulamita @ 10:10 am

Resumindo a história:

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Mais fotos aqui.

June 18, 2009

Dia dos pais

Filed under: Uncategorized — sulamita @ 6:19 am

Chegando dia dos pais, homenagem à aquela que foi mãe, pai, amiga, inimiga, companheira, karma, tudo o amor é. Quando ouvi esta música pela primeira vez, acho que finalmente entendi o que minha mãe passa.

Saudades dona Marlene…

Mommy e eu

Mommy e eu

Paula Toller – Barcelona

Eu não sabia que existia
Esse outro parto de partir
E me deixar na beira do cais
Filho sempre meu não mais

Eu não sabia que teria
Que ter você pela segunda vez
Dar a luz a arte e ao mar
E a tudo mais que você sonhar

Solta da minha mão
Leva o seu violão
Dentro do mochilão
Leva também o meu coração

Eu não sabia que existia
Esse outro parto de partir
E me deixar na beira do cais
Filho sempre meu não mais

Eu não sabia que teria
Que ter você pela segunda vez
Dar ao mundo e a tudo que há
E a tudo mais que você criar

Solta da minha mão
Leva o seu violão
Dentro do mochilão
Leva também o meu coração

June 11, 2009

Orientação Política

Filed under: Uncategorized — sulamita @ 6:34 pm

Respondendo ao Caio - embora eu não seja das pessoas que ele deve andar discutindo política – aqui está o resultado do meu teste Political Compass:

Political compass

Sempre tive uma queda pelo anarquismo, mas infelizmente não acredito que o ser humano esteja preparado para isto. Sem mais por hoje :)

May 31, 2009

Londres – primeiro mês

Filed under: Uncategorized — sulamita @ 8:28 pm
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Mais de um mês depois, finalmente vou parar para escrever como foram os últimos tempos. Por mais que a gente se prepare, saiba que não vai ser fácil, que vai ser diferente, só mesmo depois de chegar é que tem real noção do quão difícil é. Na verdade, apenas depois de algumas semanas é que você realmente aceita que vai ser complicado por um tempo ainda…

Cheguei em um sábado pela manhã, depois de uma viagem insone de mais de 10hs. Foi bom porque vi vários filmes, e Slumdog Milionaire realmente mereceu o Oscar. Bom, cheguei, apresentei documentos, imigração me enviou para um raio X de tórax – segundo me explicaram, requisito para todos com estadia de mais de seis meses, o que não ajudou a me sentir melhor. Porém de volta a imigração depois do exame, o policial notou minha camisa do Iron Maiden e puxou assunto sobre os shows, de como eles fizeram mais shows no Brasil no ultimo ano que no Reino Unido. Já ajudou a melhorar minha moral. Eu sou paranóica, embora com visto, carta, documentos, dinheiro, as notícias sobre brasileiros na Inglaterra não são exatamente animadoras. Felizmente isto não foi relevante, e com tudo em ordem fui admitida prontamente.

Van de Heathrow para Docklands, para a imobiliária, da imobiliária para o apartamento. Eu havia reservado o apartamento definitivo pela internet, e embora tivesse todas as informações, planta, visita virtual, metragem na página, claro que era uma aposta. Mas quando entrei e vi a vista, fiquei imensamente grata por ter seguido minha intuição e reservado este, ao lado do Tâmisa. O que nas próximas semanas se mostrou uma ótima decisão, porque se além de todo o resto eu ainda tivesse que procurar apartamento, pagar hotel e negociar com imobiliárias, ia ser ainda mais difícil. A prestação de serviços aqui é decepcionantemente ruim. Quatro ligações para British Telecom, para conseguir um telefone no apto, e assistentes tão bem treinados quanto a Telefonica, onde a cada ligação você recebe diferentes informações e prazos. Finalmente, descobri que enquanto não tivesse uma conta bancária ou cartão de crédito local, não ia conseguir. Ok, vamos ao banco. Esta parte até que foi fácil, pois três dias depois de chegar, recebi o Council Tax (IPTU) no meu nome – aí sim foi eficiente – então já podia ir no banco abrir uma conta. Depois foi esperar vários dias úteis para a ligação do telefone, mais alguns para internet, e outros para TV a cabo (por comparação, quando assinei Virtua, foi instalado dois dias depois, em um sábado a tarde, e habilitando tudo na mesma hora). Enquanto isto, eu lidava com outros problemas: o apartamento veio mobiliado, porém a cama era impossível. Eu sentia literalmente cada mola – o que o Héctor chamou de uma sessão de acupuntura ruim. E implorando para a imobiliária falar com o proprietário para que ele removesse a cama, ou pelo menos o colchão. Duas semanas depois, a resposta definitiva: ele não tinha onde guardar, eu poderia me desfazer mas teria que deixar outra no lugar quando saísse do apartamento. Fiquei passada, mas depois pensando com calma, vi centenas de camas para vender no Gumtree – tá bom, eu coloco a cama que quiser, depois compro alguma outra usada e deixo no lugar. Mas claro que não seria assim tão simples: a cama tem um tamanho estranho, 137x190cm, e transporte de coisas grandes por aqui é dificil e caro, existe muita gente vendendo super barato ou até doando para quem consiga ir retirar. Em uma visita a Ikea Zaragoza, decidi qual colchão queria, porém ainda não estava disponível em Londres, em nenhuma das lojas longe pra burro do centro e das bordas da cidade. Depois de um programa de índio visitando uma delas, aprendi a confiar no website – se ele diz que a loja não tem algo, é porque não tem. Tudo mudou ontem, quando finalmente o colchão que eu queria do tamanho que eu precisava – e claro, pelo preço que eu estava disposta a pagar, o maior motivo de preferir a Ikea – finalmente estava disponível. E lá vou eu para os cafundós, e finalmente as coisas começaram a se acertar. Ao invés de esperar pela disponibilidade da Ikea, descobri que alguns donos de vans faziam o transporte ali também, e trouxe meu novo colchão para casa, junto com outras coisas, além de uma carona que me evitou outra viagem metro+trem+onibus de volta. E o que fazer com o colchão antigo? Ainda não sei, tenho algumas opções de vender, doar, deixar na varanda, mas por enquanto está servindo de base para o colchão novo. Ah, a diferença que faz uma noite bem dormida…

E não importa se você se muda para um apartamento mobiliado, sempre falta algo. E para uma pessoa detalhista como eu, até a cor da mesa do computador precisa ser muito bem escolhida. Depois um guarda roupa que caiba no quarto, uma televisão decente, armários para banheiro. Falando em banheiro, precisava de mais gavetas para guardar minhas tralhas cosméticas, enquanto tentava decifrar as substâncias reagentes no meu teste de alergia, e encontrar estas substâncias nos meus cosméticos. Resultado: metade de tudo, incluindo itens novinhos da L’Occitane, todos proibidos e armazenados – este assunto ainda vai me render outro post. E olha, a disposição do atendimento aqui me fez sentir uma saudade imensa de São Paulo – não lembro a última vez que visitei um lugar com atendentes tão antipáticos e de má vontade. Não exatamente todos, mas eu diria que 70%. Outros pequenos dissabores vão pingando mais stress, esperar a mudança, a máquina de colocar crédito no metrô engolindo 50 libras – que felizmente eu recebi de volta alguns dias depois. E embora tivesse a paciente compania do Héctor, que por horas simplesmente me fazia compania enquanto eu tentava resolver internet, banco, etc, foi só na primeira semana, e mesmo morando tanto tempo sozinha, nestas horas eu queria compania. Não é para qualquer um. Estou controlando muito mais as finanças, pois ainda não sei o quanto vale meu salário aqui – que embora tenha sido equiparado ao que ganhava no Brasil, foi equiparado para alguem viver em Swindon, onde está o quartel general, e não para Londres, onde o escritório tem poucos meses e ninguém ainda se preocupou que a diferença de custo é absurda. A pesquisa de mercado me mostrou que o conceito de um bom salário em Londres é decepcionante, mas depois de adiar por tanto tempo, decidi que esta era a hora, e não me arrependo. Só espero que algo mude no futuro próximo. Acho que é como São Paulo, todo mundo acha normal trabalhar em São Paulo e gastar duas ou três horas diárias para morar no ABC… mas para quem trabalha bastante de casa e gosta de curtir seu canto, vale a pena investir.

O pior de tudo foram os sentimentos contraditórios. Custei a admitir que eu estava frustrada com o andamento – ou a falta de – porque parecia que soaria como arrependimento. Eu não estava arrependida, mas muito frustrada por não ter tudo ou pelo menos boa parte do que queria resolvido, e de estar gastando tanto tempo resolvendo isto. Quando finalmente consegui me dedicar ao trabalho, sair para jantar com amigos da universidade, e ir visitar o Héctor no fim de semana, meu humor começou a mudar – finalmente estava fazendo o que eu vim aqui fazer. Mas toda esta confusão, somada ao stress dos preparativos no ultimo mês no Brasil, não foi fácil.

Chega de reclamar né? O lado bom: transporte público aqui é fantástico. Não é barato, me custa mais de 5 libras quando preciso ir e voltar ao escritório, mas não preciso fazer isto todo dia. Pego um ônibus na esquina de casa – geralmente aqueles londrinos de dois andares, que passa no máximo a cada 5 minutos durante o dia, até o metro – DLR – e uma quadra até o trabalho. Quando estiver de volta ao ritmo normal na academia, acho que vou de bicicleta – são apenas 4.6km, em um caminho designado para bicicletas, logo vai ser uma ciclovia. Alias, andando de ônibus, metrô ou trem, e olhando a sinalização das ruas, dá pra entender como estrangeiros ficam perdidos no Brasil. Dá pra ir para qualquer lugar lendo os sinais, guias do metrô por todas as estações, agentes de informação, sinais de transito.

Comida é um item onde Londres é injustiçada pelo mundo afora. Isto pelo menos me fez muito feliz – encontrar opções diversas, diferentes, baratas, prontas, bem preparadas, e o melhor, saudáveis, é infinitamente mais fácil que no Brasil. Mesmo um jantar completo, sentado confortavelmente em um bom restaurante e comendo bem custa em torno de 20 libras. Para almoçar ou levar para casa, Itsu e Eat são minhas preferidas. Carne é incrivelmente cara, mas como nos ultimos tempos eu havia diminuído drasticamente meu consumo de carne vermelha, a grande opção e preços acessíveis para peixe, camarão e cordeiro me servem muito bem. Eu só preciso normalmente lembrar de pensar no jantar no horário normal. Estamos no começo do verão, e o sol brilha forte até 21hs, e eu distraída no computador, acostumada a pensar no jantar quando escurece, ou depois da academia, acabo indo dormir muito tarde por conta disto. Mas o dia mais longo dá mais ânimo, parece…

Depois de visitar a esnobe Reebok e a barata demais LA Fitness, acabei me decidindo pela Virgin Active, que tinha um estilo mais parecido com a Bio Ritmo, mais holístico. E além do que, tem uma piscina com hidromassagem para usar o quanto quiser depois do treino :D tenho um mês para a Operação Gran Canária, vamos ver o que consigo até lá.

Mas o melhor de tudo certamente é o ambiente de trabalho. Na parte de infraestrutura, recebi um monitor 22” LCD, vou receber um Thinkpad X200s para usar como máquina de desenvolvimento e um HP Mini Vivienne Tam para demonstração. Isto já dá um animo, porém é o pessoal que realmente tem me feito bem. Geralmente sempre me dei bem com o grupo, porém é a primeira vez que um time é o mais parecido comigo possível. Não são tão parecidos porque eu mudei, já não sou mais a mesma nerd em jeans, camisetas geeks e interesses puramente técnicos, porém compartilhamos os mesmos interesses em open source e um senso de humor muito parecido. Aliás, o senso de humor britânico é um dos meus preferidos, ácido e irônico. Apesar de que eu ainda prefiro ver House em espanhol – ele consegue ser mais mal educado e falar muito mais palavrões que a versão original. Mas voltando ao grupo, acho que vai ser muito bom trabalhar ali. Pela ultima versão do Moblin – que também quero blogar, provavelmente amanhã – dá pra ver a criatividade do pessoal. É muito boa a sensação de estar tão próxima de um projeto assim no momento que ele vem a público, trabalhando justamente na interface deste time e o público.

Este fim de semana foi ótimo. Dias lindos, ensolarados, uma temperatura ótima – uns 24, 25 graus, no ponto em que não é muito quente nem muito frio, o sol forte e o ventinho refrescando – uma noite restauradora, e deixando a casa um pouco mais alegre. Comecei uma coleção de coisas curiosas ou simplesmente legais que vejo passando pelo rio. E apesar de tanta coisa, tiramos um dia na primeira semana para fazer turismo e tirar fotos.

Por hoje é só pessoal!

Por do Sol em Londres

Por do Sol em Londres

April 17, 2009

London Baby!*

Filed under: Uncategorized — sulamita @ 5:06 pm

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Resuming: I’m moving to London, next Friday, April 24th. Continuing open source work, continuing at Intel, but now as Moblin Technical Marketing Engineer. Sorry for my laziness (exhaustion), but I sooooooooooooo need a margarita right now :D

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Ou “Minha vida parte 5″ (infancia, adolescencia, universidade, São Paulo e agora…)

Preâmbulo:
- aos 18 anos cheguei a conclusão que o Brasil só tinha uma saída: o aeroporto internacional
- há uns dois anos atrás li uma reportagem onde nosso (insira aqui seu adjetivo preferido) presidente Lula dizia “quem não gosta do Brasil que vá embora”

Apesar disto, minha visão do Brasil mudou muito depois de viajar por tantos lugares. Alguns melhores, claro – a Austrália foi um dos lugares que mais me impressionou, e um dos lugares onde um dia ainda quero morar. Alguns piores – para passear a India é fantástica, mas depois de duas semanas eu estava tendo um colapso. Acho que só mesmo indiano para conseguir entender e lidar com aquele turbilhão – ou a Danese Cooper :)

Mais muitos lugares me mostraram que tudo tem seu lado bom e lado ruim. Eu sempre quis viver em um lugar onde o jeitinho não fosse a ordem geral. Meu grande gosto pelas viagens sempre foi o diferente. Quando vou a um lugar diferente, quero saber como vivem e pensam as pessoas dali. Viver e pensar como brasileiros eu já sei, já conheço. Quando você conhece outras culturas, outras maneiras de ver a vida, outros valores, outros costumes, é que realmente se tem noção do tamanho do mundo, sua cabeça expande. Comecei a dar mais valor ao que temos aqui, porém também crescia sempre a vontade de morar em um lugar muito diferente, onde houvesse mesmo um choque de culturas. Eu e minha eterna fuga da rotina, da zona de conforto…

E a partir do fim de semana que vem, meu endereço será lá em Londres. Vou trabalhar como Moblin Technical Marketing Engineer para Europa da Intel. Está sendo divertido voltar a dedicar-me à parte técnica – gente, como se enferruja em dois anos! O trabalho é novamente um desafio, desbravar uma área nova na empresa em um território não coberto. As condições são boas, a equipe já me conhece, meu novo gerente tem me apoiado muito com todo o rolo de negociações, visto, mudanças… e aqui vou eu! Para a Capital do Mundo…

Quando aceitei a proposta da Intel dois anos atrás, tive que declinar uma oferta também fantástica lá mesmo em Londres, mas depois de duas semanas agonizando a indecisão, eu queria o desafio da Intel, que representava uma área completamente nova para mim. Após o período de lua de mel com a empresa, quando se começa a ver os problemas, vi que realmente me identifico aqui. Além da liberdade e confiança que sentia depositados em mim, nas minhas decisões e sugestões. Claro que não foram apenas flores, tive grandes frustrações, mas isto é verdade para qualquer empresa, mesmo se você é o dono dela… até que Londres voltou a pintar no meu caminho. E desta vez, não tenho dúvidas do que quero, do que me oferecem, e do desafio.

Parto dia 24 de abril – sim, daqui poucos dias. Estou convencida que não importa quanto tempo eu passe arrumando e resolvendo, alguma coisa ainda vai ficar para trás. Tudo bem. Vou me espalhando… e aqui vou eu, nova fase, novo capítulo. Quem sabe quais novas aventuras isto vai me levar?

Ficam aqui alguns pensamentos para quem quiser…

- “Não tem como” geralmente é apenas uma maneira de desencorajar quem não está realmente interessado (e poupar trabalho para quem o pronuncia)
- Nunca desista de seus sonhos. Eles podem ser adiados, mas não os esqueça
- O que realmente importa nesta vida é o que se leva dela depois que não estamos mais aqui
- Geralmente, quando você deixa de perseguir ferrenhamente algum objetivo e deixa simplesmente a vida seguir seu curso, seu objetivo finalmente se concretiza
- Nunca duvide dos seus sonhos, nem das suas intuições. Você pode conseguir tudo, tudo que quiser, desde que esteja disposto a pagar o preço
- Cuidado com o que você deseja, você pode conseguir :)

* http://www.youtube.com/watch?v=1HBGJVXSzas

Aproveitando que você leu até aqui, estou vendendo minha lava-louças e uma chaise longue preta, muito fofa. Se interessar, siga os links :)

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